sexta-feira, 17 de maio de 2013

Ontem


Que dia cansativo... Todo o processo é difícil e fazê-lo a 300km de casa não ajuda nada!

A análise ao estradiol teve o resultado de 275, quando o esperado seria perto de 400...
A ecografia revelou um folículo de 12 e 6<10 no ovário esquerdo e 3 de 12, 13 e 14 e 10<10 no outro. Nada muito espetacular, como se vê.

Falei com o médico e ele estava hesitante entre manter a medicação e na 2ªf fazer nova ecografia ou seguir para a punção na 3ª. Disponibilizei-me para o que fosse necessário, obviamente, e ele achou melhor seguir para a punção.
Assim continuo o menopur e cetrotide até sábado, domingo já não faço nada e na madrugada de 2ªf faço o pregnyl. 
A punção será na 3ªf às 14h e a transferência na 5ªf ou 6ªf.

Estou um bocado desanimada, queria estar a responder melhor para termos mais hipóteses de sucesso. Eu sei que basta um, que poderia ter 20 folículos bons e mesmo assim não engravidar.
Tento ao máximo confiar que o médico esteja a fazer o melhor para nós, mas ao mesmo tempo estou sempre a duvidar se devíamos esperar mais uns dias, alterar a medicação, sei lá... 
Eu sei que não há respostas certas, é tudo muito variável e a sorte ou o azar têm um papel enorme nestas coisas.

O cansaço, a frustração e os nervos deram origem a um pequeno ataque de pânico ontem à noite na altura de dar a primeira injeção do cetrotide... Fiquei cheia de medo de aparecer sangue e ter que jogar tudo fora, como diz nas instrunções. Lá chamei a minha enfermeira pessoal antes de fazer alguma asneira e correu tudo bem. Vocês são uma corajosas de fazer tudo sozinhas!

Agora é transformar esta ansiedade em otimismo, afinal porque é que não há de resultar?

Hoje é dia do nosso aniversário, 11 anos! Não há orçamento para grandes comemorações, mas pelo menos haverá um jantarinho fora para distrair a cabeça.

Bom fim de semana.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Castelo de cartas



Percebi anteontem que o meu entusiasmo e calma têm a resistência de um castelo de cartas...

Ligaram-me da clínica a perguntar se eu não deveria já ter entregue a ecografia e análises? Respondi que não, que o médico tinha marcado para dia 16, é que o sr. dr. apontou na sua ficha dia 13
Senti o pânico invadir-me, teria ouvido mal? apontado mal? 
Ela ficou de falar com ele e ligavam-me de seguida. Assim foi, o dr ligou-me e acabámos por perceber que ele me tinha dado as indicações corretas, mas apontou mal as datas na ficha. 
Suspirei de alívio...
Mas já não consegui relaxar, fiquei tensa e preocupada, só a pensar em tudo o que pode correr mal. Foi difícil de me convencer que ainda não havia motivos para stressar.

Felizmente passou e ontem estive novamente animada e optimista, até dei a injeção sozinha. Fiquei tão orgulhosa!

Já percebi que é fácil perder a calma, se sinto alguma coisa penso se estarei a fazer hiper-estimulação, se não sinto nada acho que o medicamento não está a fazer efeito...
Mas são loucuras de curta duração e tenho conseguido afastar pensamentos menos positivos. 

Amanhã temos a ecografia e análises e começamos o Cetrotide.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

So far so good

Cá estamos no 3º dia de preparação para a FIV/ISCI.

Estou a fazer 150 de Menopur e na 5ªf temos a análise e ecografia para ver como estou a reagir. Não tenho sintomas de nada, para além de por vezes sentir os ovários como sinto na altura da ovulação, acho que será normal. Também não perguntei se havia alguma restrição especial para este medicamento, mas tenho evitado as bebidas alcoólicas e mantive o café, visto que só bebo 1 por dia. Ou devia cortar totalmente?


As injeções têm sido fáceis, mas devo admitir que tenho feito batota​: quem as deu foi a minha mãe! Ela ofereceu-se, para além de mãe é também enfermeira, então não resisti a aceitar. Tirou alguma da pressão do processo, evito o receio que tinha de fazer alguma asneira e alguma da solidão que isto envolve. 
Assim tudo tem sido feito a 4: eu, o marido, o meu pai e a minha mãe/enfermeira. A mim não me custa nada, nem sinto, o meu marido ainda é o que fica mais aflito e o meu pai vai dizendo piadas do género: agora não bebas líquidos, que ainda começas a vazar com tantos furos!
Tornámos esta parte mais descontraída e acho que é melhor assim.
Tenho conseguido pôr de lado os medos e estou conformada com o caminho que temos que percorrer para termos a nossa família. Estou até entusiasmada!

Contei ao meu chefe o que se estava a passar e ele não conseguiu compreender como é que nós optávamos por gastar tanto dinheiro por uma hipótese de sucesso tão pequena, em vez de irmos tentando naturalmente e esperando pelo público. De um ponto de vista racional, percebo o que ele quer dizer, mas emocionalmente (e novamente vem a parte de só sabe quem passa por isso) é um sofrimento enorme esperar só por esperar. A vida é demasiado curta para a viver em sofrimento e temos esta oportunidade de resolver as coisas e aproveitámos. 
Mas desejou-nos toda a sorte e pôs-me à vontade para faltar sempre que necessário. Já agora, para quem puder e quiser responder: ficaram de repouso depois da punção? E da transferência? Quantos dias?

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O início




Começamos hoje o processo.
Bem, tecnicamente começaremos sábado, o dia da primeira injeção.  Mas hoje apareceu o período e já falei com o médico e a ecografia e análises já estão marcadas.

Sinto um friozinho na barriga e alguma ansiedade, mas especialmente sinto medo.
Medo de correr alguma coisa mal com a medicação.
Medo de estar a gastar todas as nossas poupanças.
Medo de acreditar que vai resultar e depois desiludir-me.
Medo de não acreditar e o pessimismo prejudicar o processo.
Medo de todo o desconhecido que isto envolve.

Medo que não resulte. Medo que resulte.

Mas isto é hoje, que está tudo tão fresco. 
Amanhã estarei melhor.
Sábado até vou estar ansiosa pela primeira pica.

Não vale a pena olhar muito à frente, que tudo vai parecer grande demais.
Baby steps. Uma vitória de cada vez.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Nós por cá


Estou a seguir o conselho da psicóloga e estou de férias este mês, não férias do trabalho, mas férias do assunto maternidade.
É possível? Mais ou menos, estou a tentar pelo menos.

Este mês não houve treinos, nem contagens de dias, nem pernas ao alto!

Temos sido só ele e eu, como antigamente, falando dos nossos boring old problems, reclamando de muito trabalho e pouco dinheiro e os gatos que deixam pêlo por todo o lado e o Sporting que está sempre a perder pá! 

A viagem a Barcelona está perto e será o culminar deste mês a dois, a calmaria antes da tempestade que se segue.

A medicação já lá está em casa, e eu que não tenho medo de agulhas, tremo um pouco de pensar nas auto-espetadelas que se seguem. Mas não há-se ser nada, certo? 

Sinto-me bem, como não me sentia à meses. Acabaram-se as crises de choro, o aperto no peito, a obsessão... Sinto-me como se já não dependesse de nós. Não, não, agora está tudo por conta do sr. doutor. Eu sei que não é verdade, mas o meu cérebro processou tudo assim e eu aproveito esta fase relaxada.

Claro que fico um pouco nervosa de pensar no tratamento (no decorrer e no resultado), mas a maior parte do tempo estou quase que entusiasmada, quase que desejosa.

Sei que tudo vai mudar daqui a umas semanas. Conhecendo-me como conheço, à minha personalidade montanha-russa vou juntar uma dose diária de hormonas e vai ser a loucura! Ou talvez eu consiga estar mais serena, quem sabe.

Uma coisa de cada vez.

sexta-feira, 12 de abril de 2013


Fiquei tão mais leve depois de escrever o último post. 
Enquanto penso-escrevo-leio-apago-volto-a-escrever-releio, os meus pensamentos arrumam-se e compreendo-os melhor. 
Compreendo-me melhor. 
Porque afinal escrevo, principalmente, para mim. 
Não há cá mentirinhas, não vale a andar por aí aqui a fingir que entusiasmada que estou com a PMA, porque não estou.

É um mal necessário que eu pensei que ia encarar sem espinhas, mas não está a ser assim... Pelo contrário, nos primeiros dias apetecia-me era desistir de tudo.

Mas percebi que esta não é a nossa primeira tentativa, e que por à primeira ter falhado, talvez o coração esteja mais reticente em acreditar desta vez.

Faço-me ver que pode correr bem, relembro-me porque estamos a fazer isto, mostro-me o resultado se correr bem.

Vejo e revejo séries com famílias que admiro, que são fictícias eu sei ainda não perdi totalmente o juízo, mas que me fazem rir e chorar e me relembram daquilo que quero para mim.

O resultado final é que é importante, como chegaremos lá não importa. Não pode importar.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

​O mês de março foi difícil, longo e confuso... Eu que até gosto muito de chuva já anseio por dias de sol.​




Dia 19 tivemos a nossa consulta. Não foi nada do que eu estava à espera, mas as expetativas são mesmo assim. 

Gostámos do médico, despachado e direto, mas explicando tudo muito bem explicadinho numa consulta que demorou 2h. Disse que o diagnóstico estava feito, o problema não é muito grave, mas a verdade que que se passaram mais de 2 anos sem haver gravidez. Não aconselha IIU, mas sim FIV ou ISCI

Já sabíamos ao que íamos por isso tratámos logo da papelada toda, das receitas para os medicamentos e da consulta com a enfermeira e ficou marcado para maio.

Devo admitir que a partir de certo momento estava em piloto automático. Não sei bem explicar, já ia bem informada dos tratamentos, seus procedimentos e custos, mas depois a realidade de tudo aquilo assoberbou-me. Assinar os papéis, escolher quantos embriões transferir, crio preservações, injeções, protocolos, viagens a Lisboa... Já só queria ir para casa e enfiar-me debaixo das mantas. Valeu-me o meu marido, disposto a tudo e animado com a solução do nosso problema com data marcada.

Passados todos estes dias, estou mais calma, mas não tenho o entusiamo que pensei que ia ter quando déssemos este passo. A psicóloga também ajudou, desmistificou e desconstruiu algumas das minha preocupações. 

Talvez a responsabilidade emocional e financeira de tudo isto me esteja a dominar, talvez seja porque no mais profundo do meu ser eu não quero um filho da maneira que tiver que ser e sim de forma natural sem tanta gente a ajudar, talvez seja só falta de férias e de ocupar a cabeça com outras coisas.

Tenho o mês de abril para me preparar para enfrentar isto com o animo e otimismo merecido, assim como ganhar o euromilhões, desfazer-me do conteúdo da minha casa no OLX, vender um rim no mercado negro, agradecer pela família generosa que tenho e que se prontificou logo para ajudar.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Da consulta, a que foi e a que aí vem


Lá fomos novamente ao hospital, eu fiz a ecografia pélvica (tudo ok) e o marido foi ao urologista (aí nada de novo a acrescentar).

Um pequeno à parte, na sala de ecografias atendem duas pessoas de cada vez então quando entrei já lá estava uma grávida. Cheguei a pensar que era até um pouco cruel que fosse eu, e não o marido da senhora, ali naquela sala com ela, enquanto se ouviam os batimentos cardíacos do piqueno (nunca tinha ouvido, é incrível!) e ela ficava a saber que quase de certeza que vai ter uma menina
Depois o médico perguntou-lhe porque é que ela não tinha feito a amniocentese, ao que ela responde que foi por causa do risco sr. dr., depois de 5 abortos, tanto me faz o que vem aí, desde que venha
Gelei por dentro, há pessoas que passam por coisas que eu nem consigo imaginar...


Enquanto esperávamos, perguntei ao meu marido se ele estava melhor ou pior depois da última consulta. 
Tal como eu, está melhor
Não sabemos bem explicar, não há uma razão objectiva para isso, continuamos como antes, à espera. Mas temos aquela sensação de que as coisas se estão a mexer, é como se já não dependesse só de nós

O pedido de consulta no público está feito e a marcação no privado também, vamos já na próxima semana! 
Estou a tentar manter-me descontraída, com baixas expectativas, mas é difícil. Escolher uma clínica, escolher um médico, tantas variáveis... tanta responsabilidade... 
Presumo que estes sentimentos têm a ver com o enorme investimento emocional e financeiro que é feito em quem nos ajuda. Só espero peço imploro que tenhamos sorte e nos calhe alguém que nos encha as medidas, no sentido figurado e literal!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Da consulta

Hoje foi dia de nova consulta no hospital. 
Não foi preciso dizer nada, que a médica depois de ver os exames informou que não havia muito mais que lá pudessem fazer e que nos ia encaminhar para PMA no Garcia de Horta.

O pedido de consulta já foi feito e entretanto pediu uma ecografia pélvica para mim e exames de sangue ao marido. Vai fazer uma pasta com todo o processo para levarmos à consulta e que podemos ir buscar dia 16/05 (wtf?!). Aparentemente o processo fica pronto mais cedo, ela é que não tem disponibilidade para nos atender antes...
Também disse que não nos deviam chamar antes de junho, por isso não havia problema. Com prazos destes, não sei porque é que ela fez cara feia quando lhe perguntei se haverá algum problema se entretanto formos a uma consulta no privado. Até a médica estagiária comentou que os tempos de espera são longos...

Agora é esperar que liguem.


Tinha todo um discurso preparado na minha cabeça para lhe pedir encaminhamento para apoio psicológico, mas quando comecei a falar só saiu tenho andado muito nervosa e a minha mãe disse que seria bom falar com alguém. Senti-me uma miúda de 12 anos (a minha mãe disse... tenho 30 anos pelo-amor-de-deus!) e tive que morder o lábio para não chorar, não consegui dizer mais nada e só queria um buraco no chão para me enfiar... 
Ela disse que sim, podia pedir uma consulta. 
E depois rematou com não estão assim à espera à tanto tempo para estar assim
Pimenta nos olhos dos outros é refresco, foi o que me apeteceu dizer, mas só saiu um pois...
Eu sei que ela não é mal intencionada, mas talvez devessem ter escolhido alguém com  coração um bocadinho mais de tacto para um departamentos destes. Ou então sou eu que sou uma mariquinhas, o psicólogo logo há-de dizer! :P

A dúvida que ficou foi se esperamos pelo processo para ir a uma consulta numa clínica ou não. (para não falar que clínica escolher...) 
As meninas que já foram atendidas no privado podem-me dizer que papelada é que levaram e o que é que eles pediram lá?
Obrigadinha.

segunda-feira, 4 de março de 2013




Depois de algumas noites de sono, conversas com o marido, (que me está a surpreender pela maneira como superou rapidamente este contratempo e agora está mais motivado e disposto que nunca, o que for necessário, da maneira que tiver de ser) e conversas com os meus pais, que na sua infinita sabedoria, sabem sempre o que dizer

O meu pai foi mais para o colinho, enxugar as lágrimas e prometer-me que vai correr tudo bem, a minha mãe foi mais dura, relembrou-me que a vida nos faz passar pelas coisas porque todos temos lições a aprender, existe algo em nós que deve ser mudado ou melhorado. Continuo a ter demasiada dificuldade em pedir ajuda e quando o faço, tenho relutância em aceitar os conselhos alheios se forem diferentes daquilo que eu penso. Vivo em ansiedade e viver em ansiedade é não estar no presente, vivo em função do futuro e de expectativas que crio, é uma desilusão constante. Preciso viver mais para mim e de uma forma mais saudável.
Tenho uma mãe incrível ou quê?

Eu percebo e aceito tudo isto, mas depois não consigo interiorizar. Faço algumas mudanças, mas depois volto ao mesmo registo de sempre.
Por isso, também por conselho da minha mãe, acho que vou procurar ajuda. Não sabem o que me custa escrever isto, falar com um psicólogo acho que é a situação mais longe da minha zona de conforto que posso imaginar. Mas acho que devo experimentar, se me ajudar, ótimo, se não gostar, pelo menos tentei. O importante é sentir-me melhor e mais forte para enfrentar tudo o que aí vem.